Porque as pessoas caem em golpes?


Primeiramente precisamos ter consciência que todos nós somos potenciais vítimas de um golpe!

Sabe aquela história de que “isso é uma coisa só acontece com os outros, e não comigo”? É assim que as pessoas costumam pensar sobre golpes financeiros. E ainda olhando de fora as pessoas pensam “olha, como esse coitado não viu que estava caindo em um golpe”.

Dr Greenspan, um pesquisador americano, que é literalmente um especialista na psicologia dos golpes, com publicação de livros sobre o tema, caiu em um esquema fraudulento, neste mesmo sistema de Ponzi, ou seja, todos nós também estamos sujeitos.

Esquemas de Ponzi basicamente funcionam desta forma: os clientes dão controle a uma pessoa, empresa ou grupo, para administrar suas “finanças”, investir e devolver com lucros. Simplesmente pegam o seu dinheiro e prometem devolver o mesmo com lucro. Mas, na prática, o fraudador usa o dinheiro de novos clientes para pagar os antigos , e assim, na lábia, convence as pessoas a continuarem a manter o investimento ou investirem ainda mais. Logicamente que se muita gente quiser retirar o dinheiro de uma vez, o esquema quebra e é revelado.

Mas por que caímos tanto em golpes?  Por que tantas pessoas, inclusive as que conhecem os sinais de golpes, ainda sim, acabam entregando as suas informações e o próprio dinheiro de mão beijada?

 A primeira tática que é usada pelos golpistas,  é um gatilho psicológico destacado justamente pelo medo de perder uma oportunidade que outras pessoas estão aproveitando. Os anúncios golpistas sempre lhe entregam algo incrível, que poucas pessoas descobriram até agora, que está prestes a estourar e aí será tarde demais pra você participar, ou seja, criam um senso de urgência e necessidade, fazendo com que as pessoas ajam antes de pensar literalmente. Esta estratégia pode se aplicar a vários golpes, desde o tradicional bilhete premiado até mesmo golpes mais sofisticados. Podemos pegar ainda os anúncios de promoções nas redes sociais que podem ser um golpe: você clica, é direcionado pro site da loja, insere seus dados pessoais e compra. Só que aquela página era falsa e você acabou dando suas informações diretamente para um golpista que vai usar as mesmas e gastar o seu dinheiro com tranquilidade.

Faz parte da psicologia dos golpes e também é a linha de atuação de um golpista ir ganhando a confiança da vítima pouco a pouco. Entenda assim: alguém te liga e, de cara, pergunta sua senha do cartão e o número do mesmo, você certamente não vai responder, correto? Mas, um golpista dos bons, vai lhe fazendo perguntas inofensivas e te ganhando aos poucos com carisma, e aí, sem perceber, você começa a revelar informações cada vez mais,  como nome de um cachorro ou gato, do aniversário de sua mãe, a rua que mora, todas aquelas perguntinhas padrões que são comuns e usadas para a recuperação de senhas em sites por exemplo. Entendeu? Basta apenas uma informação chave no meio de tantas outras que parecem ser inúteis e assim o golpista fez a sua vítima.

Um fator que facilita a vida de fraudadores é que as pessoas que caem em golpes em sua grande maioria não denunciam, justamente por vergonha muitas vezes. Com isso, os golpistas conseguem fazer dezenas, centenas e até milhares de vítimas antes de serem pegos pelo crime. A denuncia é muito importante para que outras pessoas no futuro não sejam vítimas da mesma situação e passem pelo mesmo sofrimento.

Um alerta importante, pois tempos difíceis nos tornam ainda mais vulneráveis e os golpes tendem a se proliferar de forma rápida. Com o desemprego em alta e a pandemia, por exemplo, aumenta-se as condições ideais pra fraudadores, justamente porque eles se apoiam em promessas nas quais queremos desesperadamente acreditar.

Que não se lembra que já no começo da pandemia da COVID-19, aconteceu o golpe do falso cadastro de vacina, do falso pedido de auxílio emergencial e dezenas de outros?

Por exemplo os ataques de phishing, (um tipo de golpe em que a vítima é induzida a passar seus dados), dobraram em janeiro de 2021 em relação a 2020. Golpes em que alguém se passa por um funcionário de banco ou de central telefônica aumentaram 340%, segundo a Federação Brasileira de Bancos.

E um dos fatores mais importante que faz com que as pessoas sejam induzidas a serem vítimas de golpe é justamente o interesse das vítimas em ganhar dinheiro, em ter vantagem financeira principalmente em relação a outros.

Por isso, advirto, em primeiro lugar, se algo parece bom demais para ser verdade, muitas vezes é porque de fato não é verdade. Esse papo de “dobre seus investimentos” ou “ganhe dinheiro sem trabalhar quase nada” são quase sempre chamarizes para esquemas golpistas e fraudulentos. Em segundo lugar, nenhuma oportunidade é tão urgente que não mereça ser investigada antes. Não caia nesta de “promoção se esgotando”, “últimas vagas para este curso que é imperdível” ou até, em um atendimento de banco que diz que você precisa passar seus dados ou entregar seu cartão porque o mesmo foi clonado. Este senso de urgência também é uma arma utilizada pelos golpistas, porque tem o efeito justamente de tirar o seu tempo de pensar. É melhor perder uma oportunidade incrível do que arriscar seu dinheiro ou seus dados.

Lembrem-se, todos nós estamos sujeitos a cair em um golpe, não pode existir vergonha alguma neste sentido e falar mais sobre isso é a única forma de informar as pessoas, para que assim, sejam menores os números de vítimas que possa cair nesta artimanha movimentada e sustentada por essa rede de golpistas. 

Não existe dinheiro fácil!

 

 

 

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