Provocações à China aumentam a agonia por imunização dos brasileiros


Mais uma vez o presidente do Brasil, aquele que tem a responsabilidade de garantir a estabilidade social, defender a vida de seu povo e promover a boa relação diplomática em tempos de pandemia mundial, profere desatinos ao lançar dúvidas sobre o surgimento do Coronavírus em laboratório, atacando a China e sugerindo que os chineses se beneficiaram economicamente da pandemia.

Além das declarações de Bolsonaro não encontrarem nenhum respaldo nas investigações realizadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), sua irresponsabilidade novamente afeta as tratativas para compra do principal insumo, o IFA, fundamental para a produção de vacinas como a Coronavac, que neste momento tem sua produção totalmente paralisada.

Conforme detalhou o Instituto Butantan, são 10 mil litros de insumos esperando autorização para embarque da China para São Paulo, quantidade suficiente para produção de 18 milhões de doses de vacina.

O atraso, atribuído pelo governo de São Paulo às críticas de Bolsonaro, faz todo sentido. Não é de hoje que Bolsonaro incentiva uma disputa ideológica, distrai a opinião pública com bravatas e, de quebra, prejudica o agora desafeto, João Doria.

O governador do Estado poderia até atrair aliados nesta pauta, não fosse a má fé de João Doria em transformar cada coletiva em anúncio de boas manchetes que nunca revelam toda a verdade. Tem sido assim com o Bolsa do Povo, que não é auxílio emergencial; com os retrocessos no plano SP, agora eterno plano de transição para agradar empresários descontentes com o isolamento social e, recentemente, com o anúncio de novos editais para a cultura, através do PROAC, quando ainda nem foram pagos todos os contemplados do ano passado. Não há como dar um voto de confiança nos tucanos tamanho o descaramento.

De todo modo, a situação da imunização no Brasil e também no estado de São Paulo é gravíssima. Atacar a China, um de nossos parceiros comerciais mais fortes e atual referência na importação de vacinas e insumos para o combate da Covid, doença que deixa o Brasil em luto a mais de um ano, é inaceitável.

Como vice-presidente da Comissão de Relações Internacionais da Alesp manifestei, em conjunto com o colega Emidio de Souza, nossa solidariedade ao governo chinês, através de Moção do Legislativo endereçada à toda população chinesa, à representação consular da China em São Paulo e à embaixada da China em Brasília.

Neste tempo o povo sofre o genocídio deliberado de Bolsonaro. Felizmente os governos passam e o povo fica. Tudo que os partidos de oposição vinham denunciando em discurso, a CPI da Covid em Brasília está materializando em provas. Há muitos motivos para o impeachment. Mas se ele não vier, certamente em 2022 o povo brasileiro saberá responder à altura o que as gestões desastrosas de Bolsonaro e, por que não, de João Doria, merecem.

Artigo por:

Paulo Fiorilo

é deputado estadual pelo PT/SP. Formado em Filosofia, mestre em Ciências Políticas pela PUC-SP e professor licenciado da rede municipal de ensino da capital. Duas vezes vereador na cidade de São Paulo, mantém no Legislativo uma forte atuação na fiscalização do orçamento público, elaboração de projetos de interesse social e políticas públicas de desenvolvimento econômico regional para o Estado.

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