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Como o Bolsonarismo ainda aprofunda a desinformação sobre a covid-19


Por Gabriel Valery, da RBA

No início do mês, o presidente Jair Bolsonaro concedeu uma entrevista a conspiracionistas e negacionistas alemães e voltou a mentir sobre a covid-19. Disse, por exemplo, que o número de mortes pelo vírus no Brasil é “superdimensionado”. Além disso, afirmou que “muitas (vítimas) tinham alguma comorbidade, então a covid apenas encurtou a vida delas”. A realidade é oposta. O descaso do governo desse presidente levou o Brasil ao maior caos sanitário e hospitalar da história. E existe, conforme já comprovado pela ciência, uma subnotificação de mortes no país. Mas o bolsonarismo ainda apela para discursos mentirosos sobre a efetividade de vacinas.

Inconsistências nos sistemas de notificação, fraudes em laudos, como se viu na Prevent Senior, para mascarar a gravidade do vírus, falta de testes e de políticas públicas para combater o vírus. Tudo isso levou o Brasil a ter em suas bases de dados menos mortes por covid-19 do que a realidade. “Em nome dessa economia que temos hoje, valeu manter o país aberto e registrar 600 mil mortes por uma doença evitável? Registrar, porque as mortes reais devem ter passado de 750 mil até agora”, criticou o biólogo e divulgador científico Atila Iamarino.

País do bolsonarismo é o pior

A ponderação de 750 mil mortes de Atila tem fundamento em levantamentos científicos. No último mês, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) fez um cálculo preciso com a correção do número de mortes apenas de março a dezembro de 2020. Foram “encontradas” 35.476 vítimas não notificadas, sem contar com os casos de fraudes, mortos que não realizaram testes e “erros” no preenchimento dos atestados de óbito.

Os números oficiais do ano passado foram de 194.949 vítimas, enquanto neste ano já são, oficialmente, 398.714. Desse modo, é o país com mais mortes em 2021. Ao fazer o paralelo da subnotificação do ano passado com este, de forma conservadora, a realidade aponta para mais de 698 mil vítimas. Isso posiciona o Brasil como país com mais mortes por covid-19 no mundo, em números gerais, ultrapassando os Estados Unidos, que somam 690.152 vítimas, e contam com um sistema de monitoramento superior ao brasileiro.

Negacionismo e distorção

Além das mentiras sobre a notificação de casos, o bolsonarismo agora engrossa o discurso contrário às vacinas. O presidente, membros do governo e aliados próximos, como o deputado federal, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), o filho 03, estão divulgam narrativa distorcida sobre os imunizantes e políticas de estímulo à vacinação, como o chamado “passaporte da vacina”, defendido por cientistas. Sempre sem máscaras, promovendo e incentivando aglomerações, três membros da comitiva do presidente que foram aos Estados Unidos nesta semana contraíram covid-19.

O fato de estarem vacinados serviu para fossem intensificados ataques contra os imunizantes. “Sabemos que as vacinas foram feitas mais rápidas do que o padrão. Tomei a primeira dose de Pfizer e contraí covid”, disse Eduardo. Mesmo o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que também foi infectado, chegou compartilhar uma postagem em uma rede social com conteúdo antivacina. “Que ironia! Ministro seguiu todos os protocolos, vacinou com a CoronaVac, usa máscara o tempo inteiro e foi contaminado. O presidente não se vacinou, não usa máscara estava ao lado dele e não pegou”, dizia o post, que foi excluído.

Verdade e ciência

Conforme extenso histórico de reportagens da RBA com entrevistas com diferentes cientistas, as vacinas não impedem totalmente o contágio da covid-19. Entretanto, elas são altamente eficazes em reduzir a letalidade e a progressão mais grave da doença. “‘Ai, mas tomei vacina e peguei covid’. Sim, e a vacina nos poupou de usar um leito de UTI pra te tratar. Aproveita o privilégio pra continuar desinformando, mas vivo”, ironizou Atila.

Mesmo a variante delta, que é dominante em todo o mundo, possui maior poder de circulação entre vacinados. Vacinas protegem do agravamento da covid-19 por qualquer variante. “A delta esteve associada com maiores cargas virais considerando a viabilidade em cultura, maior escape vacinal, mas apresentou porcentagem de hospitalização similar à (variante) alpha, confirmando achados prévios. Ou seja, a vacinação completa protege muito de adoecimento grave e de morte. O efeito na transmissão talvez seja menor do que o desejado, mas não é nulo”, comenta o infectologista e pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Alexandre Zavascki.

Balanço

O bolsonarismo volta a tripudiar da vacina e da ciência em um momento em que a covid reacelera no país. De acordo com o balanço oficial do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass), os mortos da covid-19 no Brasil são 593.663. O Conass utiliza os números das secretarias estaduais de Saúde através do sistema do SUS. Os dados foram atualizados hoje (24), com o acréscimo de 699 vítimas nas últimas 24 horas. Também foram somados 19.438 novos casos, totalizando 21.327.616 desde o início da pandemia, em março de 2020. Enquanto isso, 42,39% dos brasileiros estão totalmente imunizados com duas doses ou vacina de dose única, e 73,84% tomaram a primeira dose de algum imunizante.

Números da covid-19 no Brasil. Fonte: Conass
 

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Hilton Marques defende a construção de uma nova Unidade Básica de Saúde


O vereador Hilton Marques (PT), em Sessão Ordinária (13), apresentou um requerimento questionando se a Prefeitura pode ampliar a ESF “Dr. Shigueru Kitayama”, no bairro “Dercílio Joaquim de Carvalho”, pois o espaço físico da unidade é insuficiente para a demanda de atendimentos e para o bom desempenho dos funcionários, bem como, entendeu que existe necessidade criação da uma nova unidade para que aconteça a redivisão da população atendida hoje na Unidade Básica de Saúde no bairro Dercílio Joaquim de Carvalho.

O parlamentar justificou, que a quantidade de pacientes da unidade têm aumentado devido ao crescimento da cidade nestas imediações e certamente aumentará ainda mais, pois teremos ali novos bairros adjacentes.

 

Hilton Marques falou sobre o requerimento: “Depois de visitar todas as unidades básicas de saúde com a vereadora Carol Amador (MDB), a gente pôde visualizar o fluxo de atendimentos. Conversando com os funcionários e presenciando a fila, vimos o grande fluxo de atendimentos. É necessária uma ampliação no prédio e também a criação de uma unidade próxima ao Jardim Paulista e São Gabriel para que se atenda melhor a população”.

Diante dos questionamentos apresentados pelo vereador, Hilton Marques perguntou se a Prefeitura planeja criar uma nova unidade básica de saúde na região e se pode ser alugado um imóvel para abrigar uma nova ESF e redirecionar parte da população para a nova unidade. 

Após sessão e para complementar a matéria, o vereador Hilton Marques destacou que é necessário este planejamento já, principalmente para que se tenha uma visão a médio prazo para começar a realizar este tipo de execução, pois não demorará muito e haverá novos bairros que receberão novos moradores, sendo assim, haverá assim novos usuários de saúde que farão o uso daquela unidade. Com a criação de uma nova unidade, certamente atenderemos mulher melhor as pessoas, dando mais agilidade e diminuindo as filas de espera diante dos postinhos.


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Hilton Marques e Carol Amador requerem informações de responsáveis por UBS


Os vereadores Hilton Marques (PT) e Carol Amador (MDB), em Sessão Ordinária (26), apresentaram um requerimento questionando a Prefeitura quem são os servidores responsáveis por cada Unidade Básica de Saúde do município e se é possível instituir adicional para o profissional de enfermagem que exerce a função de gerente.  

Hilton Marques comentou a importância de saber quem são os servidores que respondem por cada Unidade: “Isso facilita o nosso trabalho de fiscalizar e nos aproxima dos servidores responsáveis, facilitando o diálogo com a população, trazendo mais transparência a situações que possam ocorrer ou informações que necessitarmos repassar a qualquer munícipe que nos questione”.

 
Amador comentou a propositura: “A gente pede esse requerimento para ver se existe a possibilidade de melhorias para as Unidades de Saúde. Sabemos que são os enfermeiros os responsáveis pelas Unidades. Antigamente existia a figura do gerente da Unidade e o enfermeiro acabou adotando esse perfil de gerenciar. Será que não existe a possibilidade de um adicional ao enfermeiro, porque ele faz a parte assistencial e gerencial da unidade, uma vez que tudo o que acontece com os servidores são de responsabilidade do enfermeiro. A sobrecarga é grande”. 
 
Os veadores solicitaram que a Prefeitura encaminhe relação completa contendo os nomes dos servidores que ocupam os cargos de gerente das unidades. 
 
O requerimento foi aprovado por unanimidade e encaminhado à Prefeitura, que tem até 15 dias úteis para encaminhar a resposta. Todos os requerimentos e respostas ficam disponíveis ao público no site da Câmara Municipal (www.jales.sp.leg.br).   

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Precisamos falar sobre como vamos cuidar das sequelas da covid-19


A Covid-19 mostra, cada vez mais, ser uma doença que desafia novos conhecimentos para ciência e, com o tempo, amplia os impactos negativos que podem deixar na vida e no organismo dos infectados. Até agora, a pandemia deste vírus traiçoeiro vitimou fatalmente mais de 540 mil brasileiros e contaminou cerca de 20 milhões pessoas.

Um dos diretores do Centro de Controle de Doenças declarou nesta semana que a pandemia “não acaba até que
acabe”. Ou seja, ela não vai acabar quando realmente acabar. Ninguém minimamente responsável pode definir data para o fim da pandemia, como muitos já fizeram e erraram.

Estou como deputado federal, mas sou médico e professor universitário e junto com meus alunos atendo em Unidades Básicas de Saúde (UBS) na periferia de São Paulo e Campinas. E temos acompanhado inúmeros pacientes que sobreviveram a Covid-19 mas que ficaram com sequelas da doença.

Os que felizmente não tiveram suas vidas perdidas, podem ficar com sequelas, o que é o caso de milhões de pessoas e as consequências são percebidas logo depois da recuperação e em outros casos, surgem mais claras e evidentes ao longo do tempo. As sequelas mais comuns são o acometimento pulmonar e os impactos de longas internações na UTI. A grande maioria dos infectados que se recuperam de quadros graves de Covid-19 acabam desenvolvendo por algum período sequelas pulmonares, queixa de fadiga, dificuldades para recuperar o estágio físico, queixas musculares e neurológicas. Ao longo do tempo, também já está sendo observado outros acometimentos: oftalmológicos, neurológicos, cardíacos e tromboses.

O que se sabe é que a grande maioria dos pacientes que tiveram Covid-19 de maneira moderada ou grave desenvolvem algum tipo de sequela. O que se sabe também, é que a imensa maioria dos infectados de maneira moderada ou grave acabam apresentando risco maior de morte por outras infecções depois do período de recuperação. Estão sendo e serão observados cada vez mais novos perfis de sequelas na medida em que as pessoas vão se recuperando, com novos estudos e relatos.

Além disso, há também o relato de sequelas psicológicas, de saúde mental, seja dos recuperados ou das pessoas
que perderam fatalmente parentes e amigos por Covid-19.

Um estudo recente mostrou que a Covid-19 deixou mais de 130 mil órfãos. São crianças e adolescentes que perderam seus pais e suas mães, e que necessitam ter assegurado seu direito a proteção social, ofertas educacionais e de saúde, para serem acolhidas e defendidas, mesmo diante de todos os problemas que temos sofrido.

Por isso, propus que o Estado se comprometa em assegurar uma indenização mensal para as crianças órfãs da pandemia. Medida similar foi assegurada recentemente pelos governadores nordestinos que criaram o projeto “Nordeste que Acolhe”, que consiste em um repasse mensal de R$ 500 por criança órfã.

As comunidades escolares de hoje são diferentes das comunidades escolares de antes da pandemia. Perdemos professores, pais, alunos, trabalhadores da educação e familiares. A escola precisa ser um espaço de acolhimento, de construção de convivência e segurança para todos e todas.

Precisamos construir políticas públicas que tenham um olhar integral, na oferta de assistência à saúde, psicológica, médica, fisioterápica para permitir a cada um desses brasileiros vida digna.
Propus um Projeto de Lei no Congresso Nacional que institui a Política de Atenção Integral às vítimas e familiares de vítimas da pandemia da Covid-19, que tem por objetivo assegurar às vitimas a plena recuperação das sequelas físicas e dos impactos sociais por elas desenvolvidas.

O que também preocupa é o fato do número de casos de transmissão e lotação de leitos de UTI nos hospitais ter
represado os demais tratamentos de problemas de saúde das pessoas e o adiamento de cirurgias que não são
emergenciais.

Essa é a sequela do SUS, que afeta a saúde de todos os brasileiros: o fato de milhares de pessoas estarem com seus tratamentos de saúde suspensos. A rede do SUS – atenção primária e especializada – foi desestruturada porque os atendimentos foram focados na Covid-19. Além disso, o SUS perdeu muitos trabalhadores da saúde
experientes, seja que perderam suas vidas ou ficaram com sequelas que os impedem de retornem ao trabalho nos serviços de saúde.

Pensando nisso, aprovamos o Projeto de Lei 14128/21 de minha autoria que garante indenização aos familiares dos trabalhadores da saúde em caso de morte no enfrentamento à pandemia

A pandemia não se encerrará com a redução dos casos confirmados ou das mortes. Ela continuará e seus efeitos
serão duradouros. Para enfrentar esses impactos, necessitamos de políticas públicas que enxerguem o brasileiro
como cidadão de direitos, e não apenas como números e custos.

*Alexandre Padilha, deputado federal (PT-SP). Ex-ministro da Saúde